quarta-feira, 15 de julho de 2026

Jorge Vianna e o PT

Jorge Vianna é petista das antigas.

Foi governador, foi senador.

Ocupou vários cargos em nossos mandatos federais.

Hoje aceitou o desafio de ser, novamente, candidato ao Senado.

Tarefa difícil, porque depois de seguidos governos estaduais petistas, hoje muita gente diz que "viramos terra arrasada" naquele estado.

Nessas condições, não é fácil achar a tática certa.

Mas, a julgar por uma entrevista de Jorge Viana de onde extrai o trecho abaixo, a tática errada já achamos.

Segue a transcrição: "A rejeição é ruim, né? Ela, óbvio, é fruto. Eu quando eu saí do governo, eu tinha 87 de ótimo e bom, não era de aprovação, isso era a maior do Brasil. Ah, mas tem muita rejeição a você, tudo. Nós entramos num processo de polarização tremendo. Eu acho que também teve muitos erros nos nossos últimos governos. A gente cometeu falhas graves, tem os acertos são maiores, mas teve muitos erros e teve uma rejeição enorme. Eu eu vou dizer o seguinte, se fizer uma campanha aí PT contra P-não-sei-do-quê, vai perder. Eu tirei a parte, a carga ideológica da minha campanha. A minha campanha não é uma candidatura, minha candidatura ao Senado não é uma candidatura do PT, uma candidatura do Acre. O PT é o partido que eu tenho, ninguém vai questionar. Eu não tô negando minha história. Só tô dizendo que eu não vou botar, porque o PT, por exemplo, foi um dos responsáveis ou parte do PT pela minha derrota de 18, quando inventaram uma outra candidatura querendo ver, querendo me tirar. Eu vou brigar. Não. Então não tem briga com ninguém do PT, não tem briga com nenhum P-nenhum, mas a minha candidatura é pelo Acre. Se o Acre nos une, se as pessoas acham que eu posso ajudar o Acre, então elas vão estar do meu lado. Essa rejeição o Acre não tem."

Algum dia se fará o balanço do passado e da política que gerou toda essa rejeição.

Mas a preços do presente, pergunto a quem serve dizer o seguinte: "Eu tirei a parte, a carga ideológica da minha campanha. A minha campanha não é uma candidatura, minha candidatura ao Senado não é uma candidatura do PT, uma candidatura do Acre. O PT é o partido que eu tenho, ninguém vai questionar".

Se Jorge tivesse saído do PT, se Jorge não fosse receber alguns milhões de reais do fundo eleitoral do PT, talvez essa conversa tivesse alguma ressonância junto a eleitores de centro-direita.

Mas o que Jorge está se propondo fazer é um malabarismo retórico: "minha candidatura ao Senado não é uma candidatura do PT, [é] uma candidatura do Acre. (...) Se o Acre nos une, se as pessoas acham que eu posso ajudar o Acre, então elas vão estar do meu lado. Essa rejeição o Acre não tem."

Segundo minha interpretação: ao invés de trabalhar para reduzir a rejeição ao PT, ao adotar esta postura transcrita acima Jorge está apenas confirmando a tese da direita, segundo a qual para defender o Acre é preciso se afastar do PT.

Nem comento o argumento que está no entremeio: "Só tô dizendo que eu não vou botar, porque o PT, por exemplo, foi um dos responsáveis ou parte do PT pela minha derrota de 18, quando inventaram uma outra candidatura querendo ver, querendo me tirar". 

Confesso que não sei o que ocorreu no Acre em 2018, mas lembro do que ocorreu no país inteiro. E, seja como for, se essa moda pega - não vou defender o PT este ano, porque na eleição passada o PT ou parte dele adotou uma tática que me prejudicou - o desfecho não vai ser dos melhores.

Até porque - não custa lembrar - quem organiza a política em torno da primeira pessoa do singular são os políticos da direita. A classe trabalhadora, a esquerda, só tem alguma chance se operarmos na primeira pessoa do plural.





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