A conversa, pasmem, não disse respeito a Palestina, ao Irã, a Ucrânia, ao pato laranja nem tampouco ao cavernícola.
A conversa - que pode ser ouvida aqui: https://www.instagram.com/reel/DZr9oeAxNU7/?igsh=N3F3aWo3ZTFxbG5y - disse respeito ao suposto esquerdismo de Lula.
Lula, como é óbvio, afirmou na tal conversa que nunca foi "esquerdista".
E não foi mesmo. Afinal de contas, para nós que militamos na esquerda, "esquerdismo" tem uma conotação muito específica, cuja definição clássica está na obra de Lênin que pode ser lida aqui: esquerdismo-doenca-infantil.pdf
Evidentemente, havia no passado e há no presente quem pense diferente. No início dos anos 1980, no PCB, no PCdoB e no MR8 muita gente acusava o PT em geral e Lula em particular de sermos "esquerdistas".
Mas essa sutileza - a diferença entre "esquerda" e "esquerdismo" - não é muito comum nas altas rodas do G7. Ali é mais comum usar o termo "leftist", no sentido depreciativo.
Obviamente a conversa "vazada" não parou por aí. Mas sobre as outras coisas que foram ditas, recomendo a leitura de uma polêmica entre Lula e o professor Marco Aurélio Garcia, travada há quase exatos 20 anos, mas que ajuda a enquadrar aquilo que tanto rebuliço está causando em certos meios.
A polêmica pode ser lida aqui: Folha Online - Brasil - Garcia minimiza declarações de Lula sobre a imaturidade da esquerda - 12/12/2006
A origem da polêmica foi a seguinte declaração de Lula: "Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema [risos e aplausos]. Se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque também está com problema" (...) "Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, e quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata, menos à esquerda. As coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos, e de acordo com a responsabilidade que você tem. Não tem outro jeito" (...).
Marco Aurélio, que salvo engano ainda era o presidente nacional do PT, cargo que assumira em meio a famosa "crise dos aloprados" (nenhum dos quais era esquerdista), disse que considerava que Lula era de esquerda e acrescentou: "Eu sou mais velho do que ele, e sou de esquerda".
Moral da história: certas concepções de Lula não mudaram e - exceto para quem não o conhece de fato e talvez por isso alimente ilusões - não deveriam causar rebuliço algum.
Aliás, cá entre nós, para que Lula estivesse certo - ou seja, para que ao final prevaleça o "centro", o "caminho do meio" - será necessário que antes a esquerda consiga um grande crescimento e triunfo no mundo inteiro.
Assim, não importa o que falem, se existe alguma saída é pela esquerda.
Motivo pelo qual é fundamental a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2026.
Nesse sentido, muito mais relevante do que a tal conversa, é o discurso feito por Lula no G7, que pode ser lido aqui: Leia a íntegra do discurso de Lula na cúpula do G7

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