terça-feira, 6 de janeiro de 2026

32 cubanos

Estes são os 32 cubanos que tombaram na Venezuela, no dia 3 de janeiro de 2026:

COMBATIENTES DEL MINISTERIO DEL INTERIOR

Coronel Humberto Alfonso Roca Sánchez (67 años)

Coronel Lázaro Evangelio Rodríguez Rodríguez (62 años)

Mayor Rodney Izquierdo Valdés (51 años)

Mayor Ismael Terrero Ge (47 años)

Capitán Yoel Pérez Tabares (48 años)

Capitán Addriel Adrián Socartas Tamayo (32 años)

Teniente coronel Orlando Osoria López (45 años)

Mayor Rubiel Díaz Cabrera (53 años)

Mayor Hernán González Perera (43 años)

Capitán Bismar Mora Aponta (50 años)

Primer teniente Yorlenis Revé Cuza (36 años)

Primer teniente Alejandro Rodríguez Royo (35 años)

Primer teniente Erdwin Rosabal Avalos (35 años)

Primer teniente Daniel Torralba Díaz (34 años)

Primer teniente Yandrys González Vega (45 años)

Primer teniente Yordanys Marionis Núñez (43 años)

Primer teniente Yunior Estévez Samon (32 años)

Teniente Yasmani Domínguez Cardero (32 años)

Teniente Fernando Antonio Báez Hidalgo (26 años)

Teniente Yoandys Rojas Pérez

Primer suboficial Giorki Verdecia García (30 años)

COMBATIENTES DE LAS FUERZAS ARMADAS REVOLUCIONARIAS

Capitán Adrián Pérez Beades (34 años)

Suboficial mayor Suriel Godales Alarcón (42 años)

Soldado (r) Adelkis Ayala Almenares (45 años)

Soldado (r) Alexander Noda Gutiérrez (48 años)

Soldado (r) Ervis Martínez Herrera (52 años)

Soldado (r) Juan Carlos Guerrero Cisneros (55 años)

Soldado (r) Juan David Vargas Vaillant (54 años)

Soldado (r) Rafael Enrique Moreno Font (35 años)

Soldado (r) Luis Alberto Hidalgo Canals (57 años)

Soldado (r) Luis Manuel Jardines Castro (59 años)

Soldado (r) Sandy Amita López (37 años)



Dados disponíveis aqui: Cubadebate

A grande mídia versus Maduro

Uma das vantagens de ouvir a Jovem Pan é que ela tem lado e explicita isso.

Já a mídia tradicional tem lado, mas geralmente tenta esconder isso.

Um exemplo deste fato, colhido meio ao acaso, é o texto disponível no endereço a seguir: 

https://noticias.uol.com.br/colunas/daniela-lima/2026/01/06/politicos-venezuelanos-citam-traicao-e-infiltracao-em-captura-de-maduro.htm

Reproduzo ao final, na íntegra.

A seguir, alguns comentários.

A frase inicial do citado texto é um primor: "Políticos e autoridades venezuelanas que conversaram com integrantes do governo Lula e dirigentes de partidos de esquerda...".

Ou seja: as fontes do texto são, supostamente, integrantes do governo Lula e dirigentes de partidos de esquerda. Não são os políticos e autoridades venezuelanas. Mas para o desatento fica a impressão oposta.

Segundo fulano supostamente ouviu de beltrano, teria havido tanto "traição" de integrantes das forças de segurança nacional como "infiltração" de agentes da CIA.

A informação de que teria havido infiltração foi dada publicamente pelos Estados Unidos. E dada a natureza da operação, nada mais provável. 

O mesmo vale para a "traição". 

Para chegar a essas conclusões, não seria necessário falar com fulano nem com beltrano. Mas o texto é construído para passar a impressão de que a informação é "quente".

Em seguida ao malabarismo acima exposto, fala-se da "operação que levou à captura do ditador Nicolás Maduro". 

A referência ao "ditador" é um lixo conhecido: faz parte do Manual de Redação. 

Já a referência à "captura" é uma demonstração de total subserviência aos EUA. 

Afinal, é mais do que óbvio que o termo "captura" não dá conta do que realmente ocorreu: um ataque militar, seguido do sequestro de um presidente e de uma deputada. 

Tomando como base os tais "relatos" (fulano que teria dito a beltrano), teria havido "uma tentativa de entender se a embarcação que tirou o presidente venezuelano do país ao lado de sua esposa também levou dissidentes que colaboraram com os norte-americanos".

Num passe de mágica, os responsáveis pela suposta "traição" se convertem em "dissidentes". 

E uma operação militar brutal, em que morreram dezenas de pessoas, é resumida assim: "Maduro foi sacado de seu bunker em menos de 50 minutos".

"Sacado"...

No próximo parágrafo, as "fontes" (fulano que falou para beltrano"), agora convertidas em "relatos que chegaram a a aliados de Lula", afirmam que "nenhum dos sistemas de defesa aérea da Venezuela —um dos países da América Latina que mais investiu em armamentos nos últimos anos— foi acionado". 

Não seria preciso apoiar em "fonte" alguma um fato que é de conhecimento público. 

Mas o que parece mais importante no texto é a frase aposta: "um dos países que mais investiu em armamentos". Se o texto tivesse algum equilíbrio, diria algo como: o país que desde os anos 1940 mais gasta em armamentos derrotou um país que nos últimos anos investiu em armamentos...

O parágrafo subsequente atribui à companheira Delcy Rodríguez um "relato fático e sucinto", segundo o qual "eles entraram, derrubaram os agentes que estavam com o ditador e o retiraram em menos de 50 minutos". 

Obviamente Delcy não falou em "ditador". Embora o texto não use aspas, a malandragem é óbvia: naturaliza o termo "ditador" e tenta colocá-lo na boca da Delcy.

O quinto parágrafo diz que "a Venezuela não tem comentado abertamente a derrocada da ação dos agentes de proteção de Maduro". 

Derrocada? Houve uma agressão militar, praticada por um exército estrangeiro, na qual tombaram em combate dezenas de soldados. 

Chamar isso de "derrocada" serve para desviar a atenção em relação ao que ocorreu. 

Depois, atribuindo a fulano que falou para beltrano, o texto diz que teria havido "o mapeamento de todo o esquema de segurança do então presidente e do palácio de Miraflores", o que é atribuído aos "delatores de Maduro".

"Delatores"? Alguém que entrega aos "Estados Unidos não só mapas das instalações militares, como formas de neutralizar qualquer tipo de reação das defesas" não é um "delator", é um traidor.

O uso do termo "delator" tem o objetivo de criminalizar a vítima, livrando a cara dos verdadeiros criminosos.

Mas o pior está no último parágrafo: "nesse momento, a tese de que Delcy teria de alguma forma colaborado com a subvenção [sic] do líder venezuelano não tem respaldo na na diplomacia brasileira".

E de quem é essa "tese"??? Obviamente, dos Estados Unidos. Isso o texto não fala. No lugar disso, usa o último parágrafo para falar desta tese, que o texto mesmo diz que não tem "respaldo". 

Mas se não tem o respaldo de nenhuma fonte, porque a matéria fala disso? Simplesmente porque divulgar esta tese contribui para a guerra psicológica que estão promovendo contra o governo da Venezuela.  

A "tese" de autor desconhecido, tese que "nesse momento (...) não tem respaldo", não teria respaldo não por ser falsa, mas "inclusive porque o principal temor é o de que ela não consiga controlar o país e acabe caindo diante de conflitos internos, uma guerra civil, o que levaria inevitavelmente a outra ação armada dos Estados Unidos —tudo o que o Brasil quer evitar".

Não é genial? 

O suposto "temor" não seria de um novo ataque militar, mas sim de uma "guerra civil" que "levaria inevitavelmente à outra ação armada dos Estados Unidos". 

Ou seja: a ação armada dos Estados Unidos é apresentada não como o problema principal, mas sim como decorrência "inevitável" de um "conflito interno".

As pessoas que escrevem este tipo de texto contribuem, consciente ou inconscientemente, com a "doutrina Donroe". Melhor ouvir a Jovem Pan, antes que feche.


Segue o texto comentado

Políticos e autoridades venezuelanas que conversaram com integrantes do governo Lula e dirigentes de partidos de esquerda relatam ter havido tanto "traição" de integrantes das forças de segurança nacional como "infiltração" de agentes da CIA, a central de inteligência dos Estados Unidos, na operação que levou à captura do ditador Nicolás Maduro.

Há, neste momento, segundo esses relatos, uma tentativa de entender se a embarcação que tirou o presidente venezuelano do país ao lado de sua esposa também levou dissidentes que colaboraram com os norte-americanos. Maduro foi sacado de seu bunker em menos de 50 minutos.

Ainda de acordo com os relatos que chegaram a aliados de Lula, nenhum dos sistemas de defesa aérea da Venezuela —um dos países da América Latina que mais investiu em armamentos nos últimos anos— foi acionado.

Houve, ainda de acordo com o que foi detalhado a autoridades do Brasil, o mapeamento de todo o esquema de segurança do então presidente e do palácio de Miraflores, a sede da Presidência da República.

Os delatores de Maduro teriam entregado aos Estados Unidos não só mapas das instalações militares, como formas de neutralizar qualquer tipo de reação das defesas compradas de países como Rússia e Irã, na avaliação dos venezuelanos que buscam explicações para o fracasso completo da equipe de segurança do ditador.

Segundo apurou a coluna, na conversa que teve diretamente com o presidente Lula na manhã de sábado, após a captura de Maduro, a nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, não tratou das falhas na segurança. Ela fez um relato fático e sucinto: eles entraram, derrubaram os agentes que estavam com o ditador e o retiraram em menos de 50 minutos.

A Venezuela não tem comentado abertamente a derrocada da ação dos agentes de proteção de Maduro, no que está sendo considerado uma "mancha" na história do país que há anos diz estar sob a mira dos norte-americanos.

Neste momento, a tese de que Delcy teria de alguma forma colaborado com a subvenção do líder venezuelano não tem respaldo na na diplomacia brasileira. Inclusive porque o principal temor é o de que ela não consiga controlar o país e acabe caindo diante de conflitos internos, uma guerra civil, o que levaria inevitavelmente a outra ação armada dos Estados Unidos —tudo o que o Brasil quer evitar.




domingo, 4 de janeiro de 2026

Maduro, Trump e o tigre

Talvez nunca saibamos toda a verdade sobre o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrido no dia 3 de janeiro de 2026.

Mas o pouco que sabemos, no dia seguinte ao ataque, confirma que parte da esquerda parece mesmo acreditar que o imperialismo é um tigre de papel.

Prova disso foi a quantidade de defensores da Venezuela que ficaram chocados com a maneira “cirúrgica” com que tudo transcorreu, recorrendo a explicações do tipo “Maduro se entregou”, “traição na cúpula”, “acordo por cima entre Trump, Putin e Xi” etc.

Claro que estas e outras “teses” são totalmente compreensíveis. Em primeiro lugar, porque quando se está à distância e em estado de choque, nada mais fácil do que "viajar na maionese". Em segundo lugar, porque capitulações, traições e acordos espúrios muitas vezes existem. E, em terceiro lugar, como dissemos antes, porque há setores da esquerda que subestimam a força bruta do imperialismo estadunidense, inclusive suas capacidades militares.

Ao que tudo indica, ao menos até agora e salvo provas em contrário, o que assistimos no dia 3 de janeiro foi uma demonstração daquelas capacidades, que incluem desde alta tecnologia até soldados de elite, passando por armas precisas e com imensa capacidade de destruição, sem falar de uma boa ajuda de métodos clássicos e modernos de espionagem.

Aliás, por falar em “clássico”, quantas vezes vimos ou ouvimos falar deste tipo de operação, em que se ataca diretamente o principal comandante do inimigo, desorganizando as suas cadeias de comando e desmoralizando as suas tropas? Motivo pelo qual é preciso, sempre, ter direção coletiva e nunca, nunca, depositar todas as expectativas em uma única pessoa.

O ataque e o sequestro mostraram, também, que boa parte da esquerda tem uma crença totalmente irrealista na capacidade (e na disposição) da China e da Rússia servirem de contraponto tático e imediato a este tipo de intervenção estadunidense, especialmente quando realizada em nosso continente. Não é apenas o México que está perto demais dos EUA e longe demais de Deus.

O ocorrido no dia 3 de janeiro confirma que, sobre tigres, o velho Mao tinha razão, quando dizia que “de um ponto de vista de futuro, estrategicamente, o imperialismo e todos os reacionários devem ser considerados tal como são — tigres de papel. É nessa base que devemos assentar o nosso pensamento estratégico. Por outro lado, porém, eles são também tigres vivos, tigres de ferro, verdadeiros tigres capazes de devorar as pessoas. É nessa base que devemos assentar o nosso pensamento tático”.

Do ponto de vista “tático”, o que vimos no dia 3 de janeiro foi mais uma vitória da operação de cerco e ingerência implementada pelos EUA, que tem como um de seus objetivos afastar os chineses e russos do que eles consideram ser seu “quintal”. E que tem como um de seus alvos principais o controle do petróleo venezuelano (aliás, registre-se o erro daqueles especialistas que chegaram a dizer que seria necessário "desmistificar" um "suposto interesse estratégico dos EUA nas reservas petrolíferas da nação sul-americana").

Muita gente acha que a atual operação de cerco e ingerência começou com Trump, mas na verdade começou com Obama (remember o golpe contra Dilma). Mas é fato que com Trump a operação adquiriu características muito próprias, que estão expressas na “Doutrina Donroe” (o termo foi usado pelo próprio Trump, na entrevista de 3 de janeiro, juntando o início da palavra Donald com o final da palavra Monroe).

Segundo as determinações da "Doutrina Donroe", a Venezuela é apenas a bola da vez. Cuba, Nicarágua, Uruguai, México, Colômbia e principalmente Brasil que se cuidem. Carnívora ou vegetariana, a esquerda precisa ser derrotada. Por isso, aliás, tem pouca relevância para os gringos a discussão sobre as características de cada processo e de seus líderes. Já na esquerda tem gente que adora divagar acerca da psicologia dos líderes (mesmo que nestas divagações haja quem consiga dizer, em 2024, que Maduro teria "pregações quase caricatas" e, em 2025, dizer que o mesmo Maduro seria "o mais importante líder da esquerda da atualidade").

Como dissemos antes, uma parte da esquerda parece subestimar o imperialismo, suas capacidades e sua disposição de perseguir seus propósitos, sem dó nem piedade. 

O que vimos na Palestina, no ataque contra a Venezuela e no discurso feito por Trump no mesmo dia 3 de janeiro demonstram mais uma vez que não se deve subestimar o imperialismo: ele não tem nenhum pudor, nenhuma vergonha, nenhum limite. E isto não vale apenas para o imperialismo estadunidense. Vide, por exemplo, as declarações do “amigo Macron” em sua conta no X: “O povo venezuelano está hoje liberto da ditadura de Nicolás Maduro”.

Mas não existe apenas a esquerda que subestima o imperialismo. Existem também outras esquerdas, entre as quais - ao menos aqui no Brasil - aquela que parece achar que o imperialismo não existe; ou que existe, mas não haveria como derrotá-lo. 

Por este ou aquele motivo, não se tomam as medidas necessárias para proteger nossas riquezas, nossa soberania, nossas liberdades, nosso bem-estar, nosso desenvolvimento e nosso futuro. Ou, para ser mais preciso, não se tomam as medidas necessárias, na velocidade e na profundidade necessárias.

Um exemplo: o que está sendo feito para eliminar a subordinação teórica e prática das forças armadas brasileiras à doutrina de segurança hemisférica dos Estados Unidos? Outro exemplo: o que está sendo feito para construir redes de comunicação digital próprias, livres do controle das big techs?? Nesse caso específico, o que está sendo feito para bloquear a ação da Palantir???

Sempre falando do caso do Brasil, parece às vezes existir, na esquerda, gente que acha que se não provocarmos o tigre, ele não quererá nos fazer de almoço. A experiência histórica tem mostrado outra coisa: não importa se há provocação, não importa o tamanho da vara, o tigre só pensa naquilo. E se “pintar uma química”, vai devorar com tempero e tudo.

Entre as muitas medidas necessárias para nos proteger do tigre, está a formação político ideológica da própria esquerda e das classes trabalhadoras. 

Nesse quesito, precisamos aprender com o modus operandi das classes dominantes, inclusive no país sede do imperialismo. Embora seu poderio material seja brutal, sua máquina de guerra, seus meios de comunicação e suas instituições estatais não se movimentam automaticamente. Dependem de pessoas, que precisam estar predispostas a cometer os mais variados tipos de violência. Esta predisposição é produzida por vários mecanismos: a inércia, o medo, o dinheiro e, acima de tudo, o convencimento de que “elle$” estão do lado certo da história.

A importância de Trump, neste momento da história dos Estados Unidos, talvez seja exatamente esta. 

Trump e a extrema-direita dos EUA estão seguros acerca do seu “destino manifesto” e trabalham para construir, em parte da população dos Estados Unidos, a mesma segurança ideológica. Sem ela, a força bruta do imperialismo não funciona direito. O Vietnã mostrou isso. E mostrou, também, que do outro lado precisa existir uma disposição ideológica antagônica suficientemente forte e disposta a todo tipo de sacrifício em nome de vencer o imperialismo.

Este é um dos muitos desafios da esquerda brasileira: construir, em dezenas de milhões de integrantes das nossas classes trabalhadoras, um profundo comprometimento político, ideológico, cultural, existencial, com nossa soberania, com nosso desenvolvimento, com nosso bem-estar, com nossas liberdades e com um futuro socialista para nosso país. 

Sem força material, não basta comprometimento nem disposição de sacrifício. Mas sem comprometimento e disposição de sacrifício, nunca construiremos a força material necessária e nunca venceremos.

Uma boa medida de nosso comprometimento e disposição será o PT propor ao governo Lula que tome medidas práticas em solidariedade à Venezuela. Por exemplo: reconhecer formalmente seu governo. Outro exemplo: convidar a Venezuela para entrar nos BRICS. Terceiro exemplo: exigir a imediata libertação de Maduro, caracterizando o que ocorreu com a palavra certa, a saber, sequestro.

Aliás, sequestro seguido de chantagem: uma das coisas que Trump disse dia 3 de janeiro é que se o governo venezuelano não capitular, novos ataques (e, quem sabe, novos sequestros) virão.

Mesmo quem defende a correção das posições anteriores do Brasil frente a Venezuela precisa reconhecer que a situação mudou radicalmente, exigindo atitudes e políticas compatíveis.


 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Em defesa da Venezuela

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda aprova a seguinte resolução.

 

1/Condenamos o ataque militar dos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela, ocorrido nesta manhã de 3 de janeiro de 2026, bem como o conjunto das agressões que o governo Trump vem praticando há várias semanas contra a soberania venezuelana.

2/O ataque deste 3 de janeiro, bem como as agressões anteriores, constituem uma absoluta ilegalidade à luz da legislação internacional e inclusive à luz da legislação dos Estados Unidos.

3/Embora o ataque também esteja relacionado com as dificuldades internas do governo Trump, seu motivo de fundo é a tentativa de submeter a América Latina e Caribe e colocar ao dispor dos EUA nossos recursos, inclusive petróleo, minerais estratégicos e “terras raras”. Por este motivo, todos os governos de esquerda e progressistas da região estão sob ataque. Cabe alertar o povo brasileiro: as eleições presidenciais de 2026 ocorrerão em condições de cerco e ingerência.

4/É preciso desmascarar e desarmar, desde já, os traidores da pátria, inclusive os meios de comunicação que divulgam e defendem os interesses e o ponto de vista do governo dos Estados Unidos e de seus aliados.

5/Instamos todas as forças de esquerda, democráticas e progressistas, os defensores da soberania nacional, os governos e parlamentos, os movimentos sociais e os sindicatos, a tomar posição pública contra o ataque praticado pelos EUA, inclusive realizando manifestações de solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela.

6/As manifestações que vão ocorrer no dia 8 de janeiro, para marcar os três anos da intentona golpista fracassada em 2023, devem incorporar na sua pauta a denúncia da agressão e a solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela.

7/Destacamos a necessidade de uma análise detalhada do ocorrido e de suas implicações, o que inclui esclarecer as condições em que se deu o sequestro do presidente Maduro, cuja situação e paradeiro preciso não eram conhecidos no momento de elaboração desta nota. Depois da pirataria contra embarcações, o sequestro do presidente da Venezuela confirma a natureza criminosa do governo dos EUA;

8/Nos tempos que vivemos, as notas de repúdio, os tuítes inflamados e as manifestações são importantes, mas não são armas à altura da situação. A esquerda brasileira, particularmente o PT, precisa construir uma estratégia adequada para estes tempos de crise e guerra. Essa estratégia inclui reconstruir a integração regional latino-americana e caribenha, o que passa pela unidade entre Brasil e Venezuela, superando a situação criada pelo não reconhecimento do governo Maduro, pela resistência em incorporar a Venezuela aos BRICS, pela ilusão na capacidade dissuasória de alianças com outras potências e pela subestimação do imperialismo.

9/Enquanto houver imperialismo, não haverá paz, soberania, democracia e desenvolvimento. Cabe ao PT e ao governo Lula tirar todas as consequências desta verdade, confirmada mais uma vez na manhã de 3 de janeiro de 2026.

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, 3 de janeiro de 2026