sábado, 26 de setembro de 2026

Ouriques e a contra-revolução brasileira

Temos treze candidaturas disputando a presidência da República.

Oito são de partidos de direita. 

Cinco são de partidos de esquerda: além de Lula, do PT, há candidatos da UP, PCO, PSTU e PCB.

Por qual motivo partidos que, em diferentes graus, questionam o PT por superestimar o papel do eleitoral, acham politicamente correto lançar candidaturas presidenciais, num contexto em que a extrema-direita aparece nas pesquisas com chance de vencer?

Será porque acreditam que não há diferenças entre Lula e o cavernícola?

Será porque acreditam que o risco de uma vitória da extrema-direita não é real (mais ou menos como o PSTU e muitos setores do PSOL interpretavam os riscos de um golpe em 2015 e 2016)?

Será porque acham que sua votação presidencial será tão pequena, que não fará diferença (como pensavam alguns desses partidos no primeiro turno de 2022, no estado do Rio Grande do Sul)?

Será porque pretendem “fazer a diferença” no segundo turno?

Será para fortalecer as candidaturas proporcionais desses mesmos partidos?

Será para manter legalmente ativas as respectivas legendas partidárias?

Será porque, embora critiquem a atitude do PT, no fundo esses partidos também estão sendo capturados pela lógica eleitoral (caminho já percorrido, plenamente, por Boulos e por Jones Manoel)?

Será por um mix dos motivos acima?

Ou por outras razões?

Seja como for que se responda a essas questões, resta um enigma: é possível considerar “de esquerda” quem, numa batalha de vida e morte contra o fascismo, acha razoável “marcar posição”?

Para a esquerda acadêmica, que acredita em citações como prova da verdade, não há dúvida possível: falou em comunismo, em socialismo, em revolução, então seria de esquerda.

Também nisso a esquerda acadêmica está errada. A prática é o critério da verdade. Estamos no meio de uma batalha existencial, onde quem se pretende de esquerda não tem motivo para ter dúvidas.

Claro, muita gente boa pensa diferente. Tenho um amigo de velha data, emotivamente filiado ao que o Casseta e Planeta chamava de PCCC (“partido comunista comunista para caralho”), que adora dar espaço para o povo da mal denominada ultra-esquerda desancar o PT com argumentos cheios de razão, mas que na prática se traduzem em comportamentos inconsequentes como este de, numa hora como essa, manter candidaturas testemunhais.

Deu espaço até para o cidadão que está distribuindo o recorte abaixo: 


Nesse recorte, o referido cidadão me cobre de impropérios e de mentiras (ele parece acreditar mesmo que sou “lulista” e venero estátuas….), tudo isso como trampolim
para defender o voto nulo, apresentado - pasme! - como parte do caminho para a revolução brasileira.

Outra hora vou comentar a parte racional do que ele afirma no recorte acima disponibilizado. Por enquanto, me limito a reiterar o que acho ter dito no mesmo espaço onde o cidadão despeja toda sua fúria: em 2026, defender que a classe trabalhadora vote nulo é ser aliado objetivo da extrema-direita.

Nesse espírito, sugiro ao Nildo Ouriques que mude o nome de sua organização, para “Contra-revolução brasileira”. 

É feio, mas seria intelectualmente mais honesto.












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