Ontem foi dia de campanha.
Na agenda, uma passada no aniversário de um colega de trabalho.
Chegando lá, o tal colega me informa que tinha acabado de falar a meu respeito, com um ex-deputado federal do PT cuja filha mora perto do local da festa.
O tal ex-deputado teria dito, a meu colega, que eu “estaria bravo com ele”. Ou algo assim.
“Bravo” não é bem a palavra.
O caso é simples: em Campinas o PT tem duas fortes candidaturas a deputado federal. O ex-deputado é de lá, mas escolheu apoiar outro candidato. Até aí, normal, direito dele, já fiz isso inúmeras vezes.
O curioso, digamos assim, é quem ele decidiu apoiar.
Explico: em 2004 perdemos por muito pouco a eleição para prefeito em Campinas (SP).
Naquela eleição, o candidato do PSDB recebeu 200.372 votos, 39,84% dos votos válidos.
Em segundo lugar ficou o candidato do PDT, com 113.762 votos, 22,62% dos votos válidos.
O candidato do PT - que foi exatamente o tal ex-deputado que conversou, ontem, com meu colega de trabalho - recebeu 108.510 votos, ou seja, 21,58%.
O candidato do PT - que foi exatamente o tal ex-deputado que conversou, ontem, com meu colega de trabalho - recebeu 108.510 votos, ou seja, 21,58%.
Portanto, não fomos ao segundo turno por menos de 6 mil votos.
O detalhe “curioso” é que, naquele primeiro turno das eleições de 2004 em Campinas, um setor do Partido apoiou, política e financeiramente, o candidato do PDT. Motivo: o candidato a prefeito - o hoje ex-deputado - era parte ativa da chamada esquerda petista.
Quem chefiava aquele setor do Partido que apoiou, já no primeiro turno, o candidato do PDT? Exatamente o candidato hoje apoiado pelo ex-deputado.
A infidelidade partidária, cometida em 2004 por parte da então direção nacional do Partido, foi um dos muitos pretextos para que, anos depois, o ex-deputado decidisse sair do PT.
Outros anos passaram, ele voltou ao Partido, mas não voltou ao ponto de partida. E, agora, fechou o ciclo, apoiando em 2026 a candidatura a deputado federal de um de seus (nossos) algozes de 2004, que contribuíram, ativa ou passivamente, para que não conseguíssemos os 6 mil votos que teriam levado o PT ao segundo turno e, talvez, à vitória em 2004, o que teria salvado a cidade de Campinas de uma tripla tragédia: as gestões Hélio-Jonas-Dario.
O rancor e o ressentimento são péssimos conselheiros. Mas, sem memória, os erros do passado continuarão nos assombrando.
Que essa opinião seja confundida com braveza ou algo do tipo, só Freud explica.
O "curioso" caso do chifrado que segue o touro...Freud explica em "O Fetichismo" 1927
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