domingo, 27 de setembro de 2026

Meu querido diário, 27 de setembro

Ontem foi dia de campanha.

Na agenda, uma passada no aniversário de um colega de trabalho.

Chegando lá, o tal colega me informa que tinha acabado de falar a meu respeito, com um ex-deputado federal do PT cuja filha mora perto do local da festa.

O tal ex-deputado teria dito, a meu colega, que eu “estaria bravo com ele”. Ou algo assim.

“Bravo” não é bem a palavra. 

O caso é simples: em Campinas o PT tem duas fortes candidaturas a deputado federal. O ex-deputado é de lá, mas escolheu apoiar outro candidato. Até aí, normal, direito dele, já fiz isso inúmeras vezes. 

O curioso, digamos assim, é quem ele decidiu apoiar.

Explico: em 2004 perdemos por muito pouco a eleição para prefeito em Campinas (SP).

Naquela eleição, o candidato do PSDB recebeu 200.372 votos, 39,84% dos votos válidos.

Em segundo lugar ficou o candidato do PDT, com 113.762 votos, 22,62% dos votos válidos.

O candidato do PT - que foi exatamente o tal ex-deputado que conversou, ontem, com meu colega de trabalho - recebeu 108.510 votos, ou seja, 21,58%.

Portanto, não fomos ao segundo turno por menos de 6 mil votos.

O detalhe “curioso” é que, naquele primeiro turno das eleições de 2004 em Campinas, um setor do Partido apoiou, política e financeiramente, o candidato do PDT. Motivo: o candidato a prefeito - o hoje ex-deputado - era parte ativa da chamada esquerda petista.

Quem chefiava aquele setor do Partido que apoiou, já no primeiro turno, o candidato do PDT? Exatamente o candidato hoje apoiado pelo ex-deputado.

A infidelidade partidária, cometida em 2004 por parte da então direção nacional do Partido, foi um dos muitos pretextos para que, anos depois, o ex-deputado decidisse sair do PT.

Outros anos passaram, ele voltou ao Partido, mas não voltou ao ponto de partida. E, agora, fechou o ciclo, apoiando em 2026 a candidatura a deputado federal de um de seus (nossos) algozes de 2004, que contribuíram, ativa ou passivamente, para que não conseguíssemos os 6 mil votos que teriam levado o PT ao segundo turno e, talvez, à vitória em 2004, o que teria salvado a cidade de Campinas de uma tripla tragédia: as gestões Hélio-Jonas-Dario.

O rancor e o ressentimento são péssimos conselheiros. Mas, sem memória, os erros do passado continuarão nos assombrando.

Que essa opinião seja confundida com braveza ou algo do tipo, só Freud explica.

 



Um comentário:

  1. O "curioso" caso do chifrado que segue o touro...Freud explica em "O Fetichismo" 1927

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