quinta-feira, 22 de outubro de 2026

"Nenhum passo para trás!"

David Capistrano, o filho, dizia que o PT tinha "dirigentes que parecem generais paraguaios, quadros intermediários que parecem sargentos gringos e militantes de base que parecem guerrilheiros vietnamitas".

David, como se pode ver, não era politicamente correto. Mas sua referência à militância vietnamita vem sendo totalmente confirmada nesta campanha do segundo turno.

E, assim como os vietnamitas conseguiram derrotar o Japão, a França, os Estados Unidos - e, cá entre nós, inclusive a China, entre 1978 e 1979 -, a Nação Petista também vai triunfar neste domingo próximo, dia 25 de outubro.

Alguns amigos, inclusive velhos companheiros, preferem ser mais cautelosos e falam, acacianamente, que "tudo pode acontecer". 

Lembrei deste argumento probabilístico ao ler um texto publicado no "site" cubano La Tizza, disponível no endereço a seguir: 

https://medium.com/la-tiza/brasil-frente-a-la-moneda-en-el-aire-lecciones-de-una-derrota-no-fortuita-5a80d99689f3 

O título em si já é, para ser gentil, inacreditável: falar de "derrota", no exato momento em que estamos lutando pela vitória.

Quanto ao conteúdo, o texto gira em torno da seguinte afirmação: "ya se sabe que no hay probabilidad 50/50 de que una moneda caiga en cara o cruz. Persi Diaconis demostró que la precesión hace que la moneda pase más tiempo en el aire con la cara inicial hacia arriba. Es decir, la moneda tiene más probabilidades de caer en el mismo lado en el que empezó, es lo que se llama el sesgo del mismo lado. La diferencia parece mínima, apenas 50,8 %, pero es decisiva al hacer apuestas al respecto".

A partir desta ma-temática (sic), o autor discorre sobre todos os fatores estruturais que conspirariam a favor da extrema-direita. 

Mas, como até comunistas empedernidos julgam necessário tentar salvar sua alma, o autor do texto publicado em La Tizza termina dizendo assim: "aunque yo insista en llamar de lotería electoral a los comicios de cualquiera de las exageradamente llamadas democracias liberales occidentales, incluyendo la brasileña; hay una diferencia entre los juegos probabilísticos de lanzar una moneda al aire y el hacer política, si de lucha se trata. La historia demuestra, con demasiada elocuencia, que no es de revolucionarios sentarse a esperar a que el «sesgo del mismo lado» nos beneficie. Si la «cara» de la moneda que está saliendo hoy es la cara del neofascismo y, cada vez menos, se esconde para presentarse como tal, tenemos en nuestra memoria histórica colectiva cómo hacer para romper la inercia de todo el juego, desafiar todas las probabilidades que auguran nuestra derrota y, finalmente, vencer".

Resumo da ópera: num texto publicado no dia 22 de outubro, três dias antes da eleição, alguém de esquerda gasta 20 parágrafos discorrendo sobre as razões da derrota e 2 parágrafos falando de uma possível, mas improvável, vitória.

Isso tudo tratando de uma eleição no Brasil, país em que a esquerda ganhou 5 das últimas 9 disputas presidenciais, todas as vezes no segundo turno.

Esperava outra atitude da parte de um "site" que, faz pouco tempo, lembrou que "antes Teerã que Caracas".

A citada lembrança está aqui: 

https://medium.com/la-tiza/antes-teher%C3%A1n-que-caracas-coordenadas-para-la-defensa-de-la-revoluci%C3%B3n-cubana-c7b0fe153b48

Não vou repetir aqui os argumentos em favor dos motivos pelos quais estou seguro de que vamos vencer.

Até porque, no fundo, meus argumentos estão condensados na frase politicamente incorreta de Capistrano: a militância vietnamita, que está fazendo de tudo não apenas para derrotar o inimigo, mas também para compensar as deficiências de nossos "generais" e "sargentos".

E se fosse discorrer sobre probabilidades e ma-temática (sic), escolheria citar a opinião de uma amiga que explica assim seu otimismo: "prefiro cair das nuvens do que do décimo andar".

Mas nosso ponto de vista é outro: não queremos "acertar na previsão", queremos vencer, queremos triunfar sobre os inimigos da pátria, sobre os milicianos, sobre os fascistas, ultraliberais e corruptos.

Claro que é possível vencer de várias maneiras.

Existem as vitórias distraídas (a la Leminski), as vitórias construídas, as vitórias difíceis, as vitórias suadas, as vitórias por um fiapo (como será a de 25 de outubro).

O que não existe, não conheço, nunca vi, é vitória de quem, no íntimo, acredita que vai ser derrotado.

Assim, aos meus amigos e velhos companheiros, muitos deles vindos de uma boa e velha tradição comunista, peço que recordem que estamos no momento de repetir aquela famosa frase russa, que na língua pátria pode ser traduzida assim: "Nenhum passo para trás!"

Que, adaptada aos próximos dias, significa vencer ou vencer!







 

Um comentário:

  1. A Batalha de Alcácer-Quibir (ocorrida em 4 de agosto de 1578) significou uma tragédia para Portugal com a derrota sofrida em território africano. O corpo do rei virgem Dom Sebastião nunca foi encontrado pelos portugueses que com o fim da dinastia de Avis, passaram a soberania da coroa espanhola até 1640, época que também eclodiu uma revolta na Catalunha e a crise que iniciou a Revolução de Oliver Cromwell na Inglaterra sacudiu a Europa.

    Entre o desaparecimento do herói D. Sebastião até a ascensão da nova real de Casa de Bragança as profecias de Bandarra, um sapateiro, anunciavam o retorno do rei que estava escondido na selva africana. Eram versos que o povo decorava para manter sua fé no retorno do grande Portugal.
    Um outro autor importante, o jesuíta Antônio Vieira, acreditava que aquele mundo português era o Quinto Império profetizado por Daniel na antiga Babilônia e escreveu sua "História do Futuro". Foi perseguido por suas heresias. Diz a profecia bíblica:

    " Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, (Daniel 2:44)"

    O poeta Fernando Pessoa, aquele que sentia dor, escreveu sobre D. Sebastião:

    "Sperae! Cahi no areal e na hora adversa
    Que Deus concede aos seus
    Para o intervallo em que esteja a alma immersa
    Em sonhos que são Deus.

    Que importa o areal e a morte e a desventura
    Se com Deus me guardei?
    É o que eu me sonhei que eterno dura,
    É Esse que regressarei" (MENSAGEM, 1934)

    A tradição comunista é boa. Foi decisiva na vitória da humanidade contra os nazistas.

    No Nordeste outra tradição, ligada ao catolicismo popular foi estruturada desde a colonização. Canudos não se rendeu.
    Desta vez venceremos e para sempre.

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