O PDF do original foi feito pela Edma Walker, a digitação pela Alana Gonçalves, a revisão segue pendente, assim como a determinação da data.
DOCUMENTO PARA DISCUSSÃO SOBRE A UMES - PARTE 1
Em 1945 surge a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. A UBES se estrutura então da seguinte forma: a nível de escola, com os grêmios; a nível de cidade, com as UMES; a nível de estado, com a UPES, URGES, etc…, e a nível nacional, com a UBES.
Em 1964, o governo de João Goulart é deposto por um golpe civil-militar, que instaura no país uma ditadura militar. Uma das medidas iniciais dos golpistas é a liquidação das entidades livres dos estudantes - UNE e UBES. Em todo o país os líderes estudantis são mortos, presos ou “desaparecidos”. Em 1968 ocorre um recrudescimento das lutas populares. Vários secundaristas são mortos, assim como operários, universitários e populares em geral. Então, ao fim do governo Médici (1974), a entidade nacional dos estudantes secundaristas está desarticulada, com os seus líderes mortos, presos, desaparecidos ou na clandestinidade, no combate à ditadura.
Para evitar o ressurgimento das entidades livres, a ditadura cria os Centros Cívicos, entidades subordinadas às diretorias das escolas e ao governo. Cria também entidades a nível estadual e nacional totalmente subordinadas ao governo.
Em 1976 o movimento estudantil começa a se rearticular. Ressurgem algumas entidades (Centros Cívicos e Grêmios). Essa movimentação culmina, aqui em São Paulo, no I EMES - Encontro Metropolitano de Estudantes Secundaristas, nos dais 10/11 de 1979.
Nesse encontro - que contou com cerca de 100 entidades - se tiraram duas deliberações que, mais tarde, originaram em uma acirrada disputa no Movimento Secundarista: fundou-se a Comissão Pró-UMES e decidiu-se que nos dias 26 e 27 de abril de 1980 seria realizado o congresso de fundação da UMES. Critério de votação do congresso: “voto por cabeça”.
Cinco meses depois, em uma plenária concorridíssima (para o movimento) - 66 entidades -, as várias tendências do MS travavam uma acirrada batalha: muda-se ou não a data e o critério de votação do congresso da UMES?
A questão girava em torno da representatividade do congresso. Em um congresso em que o voto é por cabeça, não são representadas senão as ideias da vanguarda do movimento. Em um congresso em que o voto é por cabeça só comparecem os vanguardinhas. Em um congresso em que o voto é por delegados, quem vai no congresso está representando seus colegas, e teve de discutir com eles as propostas que está levando, e nas quais vai votar.
Ocorreu a votação e decidiu-se que a votação no congresso seria por delegados. A minotia se retirou, com a intenção de realizar o congresso como o I - EMES deliberou.
Nesse “congresso” a maioria compareceu em peso e transformou o seu caráter: o congresso foi transformado em assembleia. As tendências que eram então a minoria - ALICERCE E LUTA SEGUNDARISTA - hoje formam uma das chapas.
Daí para o congresso verdadeiro foi um pulo. Em 30 e 31 de agosto realizou-se o CONGRESSO DE FUNDAÇÃO DA UMES. Nesse congresso tiraram-se várias deliberações incorretas, por um número ridículo de delegados (400), número este que bem demonstra o estágio atrasado em que se encontra o movimento.
Deliberações com oa que haverá como INSTÂNCIA DE DELIBERAÇÃO uma tal de assembleia metropolitana de voto por cabeça. Ora, em assembleias assim só vão um punhado de gatos pingados e são necessários cerca de 600.000 secundaristas reunidos para se tirar uma deliberação realmente democrática.
É nesse pé que se encontra o movimento secundarista: desarticulado, anti-democrático, sem bases.
É desse pé que compete à todo secundarista tirá-lo.
A IMPORTÂNCIA DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDANTES
Nós sabemos que o estudante tem suas reivindicações: bibliotecas, banheiros limpos, salas de aula com um número adequado de pessoas, etc…
Também sabemos que o estudante é reprimido com regulamentos, leis e com um ensino pavoroso, principalmente nas escolas públicas, onde se concentra a massa estudantil.
Ora, o estudante luta para sair dessa situação. Essa luta acaba desembocando em sua organização. Sempre a PARCELA MAIS CONSCIENTE organiza os estudantes; essa organização é fruto da necessidade. Mas também sabemos que uma andorinha só não faz verão. OS ESTUDANTES SÓ VÃO CONSEGUIR OBTER O QUE PEDEM SE ORGANIZANDO E SE UNINDO TOTALMENTE. Essa é a importância da UMES, da UPES e da UBES.
Mas também há outro detalhe: necessariamente, de cada luta específica se dá um passo para uma luta mais geral, mais POLÍTICA. Por exemplo: os estudantes só vão conseguir um bom nível de ensino com a derrubada da ditadura. E a derrubada da ditadura é uma luta POLÍTICA. Por isso não devemos ter medo de política. Agora isso não significa que você pode ir falar isso toda vez que houver uma mobilização dos estudantes, achando que eles vão sair na rua de armas na mão, para derrubar a ditadura. Se você fizer isso, você vai desmobilizar os estudantes, fazendo com que se perca tudo o que já foi feito. Podemos dar um monte de exemplos. O ESTUDANTE SÓ VAI PASSAR DA LUTA ESPECÍFICA À LUTA GERAL APÓS MUITO TEMPO DE EXPERIÊNCIA. E é aí que entra o que chamamos de vanguarda: aqueles mais esclarecidos tem por papel ir conscientizando os estudantes à medida que isso for possível. Nunca se deve por os carros adiante dos bois.
Portanto, por aqui se vê que nós devemos caminhar para uma luta política, por que ela vai aparecer no nosso caminho. Se não estivermos preparados … Por outro lado, também se vê que nós devemos avaliar a situação .
Aqui no EQUIPE a coisa se coloca muito séria. Por um lado temos a liberdade para realizar qualquer coisa. No entanto, até agora, não FIZEMOS NADA DIREITO. Queimamos o grêmio desde o começo com discussões políticas que não interessavam a ninguém além dos cinco ou seis da ex-diretoria BANDA da TERRA e a “oposição”. A turma se afastou do grêmio e só agora, um semestre depois, é que começamos a realizar algo. No entanto, temos aí um problema sério, as eleições da UMES. Ora, a UMES é necessária. Mas se ela cair na mão daqueles que acham que o estudante vai atrás da luta política sem mais, daqueles que acham que o trabalho nas escolas é de só menos e centram fogo na atividade de vanguarda, pobre UMES. Compete a nós: 1- Discutir as opções que temos para votar. 2- Levar a discussão para os alunos; discutir de que forma vamos levar essa discussão. 3- Levar adiante o trabalho de base, pilar da organização dos estudantes.
O PROCESSO DE ARTICULAÇÃO DAS CHAPAS
De que modo estão se articulando as chapas: Que programa elas vão levar para os estudantes?
Embora ainda não esteja totalmente claro, vão sair em campo duas chapas. Essas chapas, ao invés de serem articuladas em céu aberto, ou seja, no Conselho de Entidades, onde todos podem tomar posição, estão sendo articuladas em reuniões de tendências. Isso faz com que os que não tem posição sejam arrastados. Uma chapa já se definiu: é composta pelas tendências LUTA SECUNDARISTA E ALICERCE; A outra será composta por outras cinco tendências, dia 11 ou 12 desse mês.
Que propostas e ideias tem a primeira chapa? 1- Concorda com todas as deliberações do congresso, até com aquelas que afastam o estudante da UMES. 2- Acha que a diretoria da UMES tem de ser a favor de um partido, fazendo com que a UMES se restrinja - uma entidade de massas tem de ser aberta a todos, não apenas à aqueles que concordam com esse ou aquele partido. 3- Acha que a luta dos estudantes deve ser ao lado dos trabalhadores, só que acha que os estudantes já tem consciência POLÍTICA para admitir isso, fazendo com que os estudantes se afastem mais ainda da UMES.
Que propostas vai ter a segunda chapa? De acordo com um documento que os chefões das tendências lançaram: 1. Discorda daquelas deliberações que afastam o estudante da UMES (assembleia metropolitana, comando de boicote, voto para conselho de representantes e pró-grêmios fantasmas no COMEB (Conselho Metropolitano de Entidades de Base, etc…). 2. Acha que a diretoria tem de ser apartidária, não fazendo diferença a presença de pessoas que apoiam este ou aquele partido nela. 3. Acha que os estudantes devem se colocar ao lado do MOVIMENTO POPULAR na luta contra a ditadura, mas sempre considerando o grau de consciência.
Em uma conversa com a MARA, nossa O.P., obtive algumas indicações de como levar a discussão aos alunos.
Primeira coisa: quem for falar deve estar seguro do que está falando, pronto para responder à qualquer pergunta e para não provocar insegurança nas pessoas.
Segunda coisa: Para começar a falar, ligar o assunto aos alunos. Por exemplo: começar dizendo que “Vocês sabiam que vocês vão votar em uma coisa muito importante dias tal, tal e tal?” ou algo do gênero. Assim evitaremos que fique todo mundo no ar.
Terceira coisa: mudar o método de abordagem e a forma de falar de acordo com a classe. Falar para a quinta como se fosse a oitava ou vice-versa é loucura.
Quarta coisa: colocar as propostas das chapas em um grande cartaz, bem visível e bem feito.
Quinta coisa: O QUE NÃO ADIANTAR FALAR, POR SÓ IR PROVOCAR CONFUSÃO, ESQUECER. Por exemplo: chega na quinta e vai explicar sobre as divergências partidárias. Vai adiantar ou só vai provocar confusão? Se for o segundo, corta e passa adiante.
E SE GANHAR A OUTRA CHAPA, NÃO IMPORTA QUAL FOR?
Gente, não importa que ganhe a outra chapa, que consideremos errada. O que é importante é entender que não é por causa disso que devemos parar de trabalhar no grêmio. Ao contrário. COM OS ERROS CONSTRUIREMOS UMA UMES FORTE. Os erros que a futura diretoria vier a fazer servirão de ensinamentos para nós e para a massa dos estudantes.
E ANO QUE VEM?
Ano que vem, em abril, vai haver a eleição da nova diretoria do grêmio. Vários não vão estar aqui. Como será que vai ser, que providências podemos tomar para que haja grêmio ano que vem? Cuca pra funcionar!!!
Valter
Presidente do GLGE
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