sábado, 1 de agosto de 2026

Familismo & esquerda: o case Quaquá

Acabo de assistir um documentário denominado Anistia 79.

Tirante os últimos e brochantes segundos, trata-se de um trabalho maravilhoso.

No documentário podemos ver e ouvir acerca da história de famílias inteiras que se engajaram na luta armada contra a ditadura militar. E pagaram pesado por isto, com prisão, tortura, exílio, desaparecimento e morte.

Décadas passaram. E, felizmente, o engajamento na esquerda segue mobilizando indivíduos, categorias e classe, assim como famílias inteiras. Ou quase, pois sempre há aquele parente que escolheu o lado sombrio da Força.

Mas quando a janela está aberta, junto do ar fresco entram as moscas. No caso, o que podemos chamar de “familismo de tipo feudal”.

O grande exemplo disso no Brasil de 2026 é a família do cavernícola, que transformou o sobrenome num ativo empresarial e eleitoral de tipo mafioso.

Mas também na esquerda há situações de “familismo de tipo feudal”.

Pessoas nomeadas para indecentes “tribunais de contas” porque são ou foram casadas com alguém que controla uma caneta poderosa.

Pessoas que fazem dos seus vínculos familiares plataforma para exitosas e suspeitas carreiras empresariais.

Pessoas que saem candidatas para manter sob controle familiar o que é tratado como um curral eleitoral de coronéis do século 21.

Não se trata de algo fácil de lidar, até porque famílias existem e sempre têm alguma influência nas possibilidades abertas a cada pessoa.

Mas tem gente que simplesmente perdeu o pudor, além do bom senso, e vem assumindo publicamente uma ideologia feudal, similar a adotada pela família do cavernícola. 

É o caso descrito na nota reproduzida mais abaixo.

Caso que nos causa dores de cabeça seguidas, entre outros motivos, porque o secretário geral prevaricador Henrique Fontana, mas também o presidente Edinho e demais integrantes da “comissão especial” escolhida pela executiva nacional do PT continuam sentados na pilha de pedidos de comissão de ética contra o indigitado.

Porque agem assim? Para evitar prejuízos eleitorais que não deve ser, pois estes prejuízos aparecem dia sim e dia também.

Será para “pagar” os votos recebidos no PED? Ou por razões fenícias e assemelhadas? Ou mais simplesmente por medo de decidir e fazer a coisa certa?

Não sei. Só sei que cargo público não pode ser transmitido como se  “herança” fosse.

Segue o texto citado (que me foi enviado por integrante da executiva nacional do PT):

*PT não é capitania hereditária. Não aceitamos golpe!*

*_Inaceitável e indefensavel que interesses menores orientem as decisões do PT na grave e importante disputa eleitoral que se avizinha_*

No debate sobre o número para disputa à Câmara Federal pleiteamos o número 1313, que se sabe configura candidatura puxadora de legenda. O fizemos na condição de um lado de candidato ao governo do estado em 2022 e de outro na condição de deputado mais votado do PT e da Federação.

De forma arbitrária, sem critério e desrespeitando orientações da Direção Nacional e da legislação eleitoral a maioria da Comissão Executiva Estadual do PT-RJ aprovou o número 1313 para Diego Quaquá sob alegação do direito de herdar o número do pai.

É público e notório que na Federação as nossas candidaturas serão as puxadoras de voto para ampliar no Rio de Janeiro a bancada de apoio ao presidente Lula. Iremos até às últimas consequências contra essa arbitrariedade fruto do autoritarismo e da pequeneza política que tem marcado a postura da maioria da Direção do PT fluminense.

O PT com sua história democrática, não pode ser um puxadinho de vontades particulares, alicerçado em argumentos despolitizados e procedimentos arbitrários e ilegais, é preciso tratar e dirigir o PT com a grandeza de ser o partido do Presidente Lula que muda a vida do povo brasileiro.

Lindbergh Farias

Marcelo Freixo

01 de agosto de 2026

Segure outra versão (neste caso enviada por um integrante do PT RJ):


O PT não é capitania hereditária.

Vamos enfrentar uma eleição decisiva para o futuro do Brasil e do Rio de Janeiro. Por

isso, é inaceitável que interesses familiares orientem as decisões estratégicas do PT.

Nosso partido não pode se apequenar.

As eleições no Rio de Janeiro são fundamentais para o enfrentamento do bolsonarismo

e sustentação do governo Lula no Congresso Nacional. Neste sentido, a defesa de uma

agenda de fortalecimento da soberania, da democracia e dos direitos dos

trabalhadores terá como arena central o Parlamento.

Diante desses desafios e compromissos históricos, é lamentável que o debate sobre a

estratégia do PT para as eleições legislativas seja submetido a interesses menores e

familiares, como se o nosso partido fosse uma capitania hereditária.

Essa visão mesquinha se traduz no golpe contra duas candidaturas estratégicas para a

construção de uma bancada forte e qualificada do nosso partido na Câmara dos

Deputados. O PT tem dois puxadores de votos nas eleições deste ano: os

companheiros Marcelo Freixo, candidato ao governo do Estado em 2022, e Lindbergh

Farias, deputado federal mais votado da nossa Federação em 2022.

De forma arbitrária e sem estratégia política, desrespeitando as orientações da Direção

Nacional e da legislação eleitoral, a maioria da Comissão Executiva Estadual do PT-RJ

aprovou, de forma autoritária, a entrega do número 1313 para Diego Quaquá. A

alegação contradiz a história democrática do nosso partido: o direito de herdar o

número do pai.

Decisões arbitrária e ilegais, que impactarão de maneira severa a bancada de

sustentação do governo Lula, são inaceitáveis e contradizem os princípios que

orientam o PT.

Dirigir o PT, o partido do presidente Lula, cujo governo transforma a vida do povo

brasileiro num momento decisivo da história do nosso país, exige grandeza e visão de

futuro.

Lindbergh Farias e Marcelo Freixo

01 de agosto de 202














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