... um ovo, dois ovos, três ovos e a Katia Abreu!!!!
No dia 2 de abril o Diretório Nacional do PT debateu e votou a filiação, ao Partido dos Trabalhadores, de mandatários e figuras públicas vindas de diferentes Partidos.
Quem quiser mais detalhes, pode ouvir aqui: Episódio 445: Resolução da direção nacional da AE, como foi a reunião do DN-PT, e decisão da ONU sobre escravidão - Em tempos de guerra, a esperança é vermelha | Podcast on Spotify
Como está dito no podcast, votamos contra a maior parte das tais solicitações de filiação. Nosso critério foi: votaremos a favor apenas de quem veio de partidos de esquerda, ou seja, PSOL e PCdoB, além de votarmos a favor da filiação da ex-ministra Nísia Trindade.
Na relação dos nomes apresentados a debate no Diretório Nacional não estava Kátia Abreu, cuja filiação não passou por nenhuma instância do PT no estado de Tocantins, nem foi (ainda) analisada pela direção nacional do PT.
Quem é a favor da filiação de Kátia Abreu trabalha - na melhor das hipóteses - com a lógica segundo a qual o PT-é-o-partido-dos-que-apoiam-Lula-em-2026.
Discordo dessa visão. Lula vencerá em 2026, entre outros motivos, porque é apoiado por muita gente, que não é e nunca será petista.
Acho ótimo que Kátia Abreu apoie Lula. Mas o lugar dela não é o PT, entre outros motivos pelas razões explicadas na impugnação apresentada por um grupo de militantes petistas de Tocantins (ver ao final).
O mesmo pode ser dito de inúmeras outras pessoas que tiveram sua filiação aceita, no dia 2 de abril, pelo Diretório Nacional do Partido. É ótimo que apoiem Lula ou que apoiem nossas candidaturas nos estados, mas o lugar delas não é o PT.
Aliás, em vários estados, há quem diga que estas pessoas que vieram de partidos de direita - em alguns casos para partidos da Federação Esperança Brasil, o que significa que podem afetar a "elegibilidade" de candidaturas do PT - não seriam úteis nem mesmo do ponto de vista eleitoral.
Copio e colo ao final duas notas que estão circulando na militância do PT da Bahia, tratando desse assunto acima e de outras pendengas.
Ao mesmo tempo em que alguns entram, outras pessoas saem. Cada qual com sua alegação, mas o fato de terem escolhido sair na "janela eleitoral" é reveladora de qual foi, provavelmente, o motivo principal.
Muitos já fizeram isso no passado, alguns dos quais acabaram voltando ao Partido. Aliás, na leva aprovada dia 2 de abril de 2026, estão João Paulo Rillo ex-deputado estadual de São Paulo e João Paulo ex-prefeito de Recife.
Não sei ao certo qual balanço cada uma dessas pessoas fez de suas escolhas de sair e agora voltar. Mas observando o conjunto da obra, é impressionante como cresce - mesmo na esquerda, até mesmo na suposta ultraesquerda - a visão de que os partidos são apenas ou principalmente "legendas" para disputar eleições, não organizações de classe para disputar a sociedade e o poder.
Não sei o que a direção nacional do Partido vai decidir neste domingo de Páscoa acerca da Kátia Abreu. Mas sei que este tipo de situação vai se somando a muitas outras, gerando um profundo estresse em setores da militância petista.
É o caso, por exemplo, do assédio que o presidente do Partido, companheiro Edinho, está fazendo contra a candidatura de Edegar Pretto a governador do Rio Grande do Sul. Digo assédio do Edinho, porque nem o Diretório nem a Executiva nacional debateram, tampouco aprovoram, qualquer recomendação sobre a tática do PT nas eleições gaúchas.
Em 2022 parte da direção nacional do PT não ajudou a campanha de Pretto a governador. Naquela ocasião faltaram apenas 2 mil votos para que ele fosse ao segundo turno. Em 2026 temos tudo para ganhar as eleições. Mas apesar disso Edinho vem pressionando publicamente o PT gaúcho a apoiar uma candidata do PDT. O argumento de Edinho é a campanha Lula; acontece que tudo indica que a votação de Lula aumentará, se Edegar for o candidato a governador.
E por falar em PDT: este Partido não foi agraciado pelo coelho da Páscoa de 2026, como se pode ler na tabela reproduzida logo abaixo. Fica aqui o PDT como sugestão para Kátia Abreu: se não for por outro motivo, que seja por caridade. Não só por eles, mas por nós também.
Ou é isso, ou na pior das hipóteses poderíamos aprovar no Congresso que o PT fará no final de abril uma resolução avisando que vamos começar a tão esperada reforma agrária expropriando a filiada recém-chegada.
Abaixo a impugnação citada acima
Recurso à Comissão Executiva Nacional do PT
Os filiados e filiadas abaixo assinados/as vêm por meio desse apresentar recurso contra a filiação de Kátia Abreu ao Partido dos Trabalhadores.
Considerando que Kátia Abreu sempre foi representante dos latifundiários e das multinacionais do agronegócio liderando a bancada ruralista;
Considerando que ela sempre se posicionou contra a reforma agrária e as organizações dos trabalhadores rurais;
Considerando que ela foi uma das principais lideranças para a derrubada da CPMF em 2007, prejudicando o governo do presidente Lula;
Considerando que no Estado do Tocantins Kátia Abreu sempre apoiou os candidatos a governador de direita contra os candidatos a governador do PT;
Considerando que Kátia Abreu nunca se posicionou a favor de qualquer mobilização, greve ou ocupação promovida pela classe trabalhadora;
Considerando que essa referida pessoa jamais fez qualquer autocrítica sobre suas posições a favor do latifúndio; contra a reforma agrária e contra as organizações da classe trabalhadora;
Considerando que nem o Diretório Estadual e nem a Comissão Executiva Estadual do PT Tocantins se reuniram para deliberar sobre sua filiação, conforme o Art. 5º, §1º: A filiação de líderes de reconhecida expressão, detentores de cargos eletivos ou dirigentes de outros partidos deverá ser confirmada pela Comissão Executiva Estadual e, no caso de mandatários ou mandatárias federais, pela Comissão Executiva Nacional.
Considerando que a prática política de Kátia Abreu não demonstra compromisso com o artigo primeiro do estatuto do PT: "O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs que se propõem a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático."
Vimos por meio deste impugnar a filiação de Kátia Regina Abreu ao PT pelos motivos acima expostos.
O PT não é o partido do latifúndio, do trabalho escravo e nem da burguesia.
O PT é o partido da classe trabalhadora que luta por uma sociedade de igualdade e justiça, pela reforma agrária e reforma urbana, pela liberdade de organização dos trabalhadores e trabalhadoras, pelo socialismo!
Assinam
Fabiano Kenji Nohama
Heloísa Lias da Silva
Hílton Faria da Silva
Jozafá Ribeiro Maciel
Maria da Penha da Silva
Thassio Fontes
Primeira nota sobre a situação da Bahia
Nota sobre a situação do PT diante da entrada no PT e na federação de deputados estaduais sem identidade com o partido e da saída de companheiras históricas
1. A condução política e seus efeitos
A reta final da janela partidária confirma alertas feitos no PED. A condução do partido por uma de nossas principais lideranças políticas, o Senador, somada à decisão de construir duas candidaturas ao Senado, tem um custo político alto para o PT.
Havia consenso na direção partidária sobre a necessidade de fortalecer as chapas proporcionais e evitar seu sacrifício em função da disputa majoritária com uma chapa pura sangue. Também havia consenso sobre impedir a filiação de deputados estaduais na federação. No entanto, isso não se traduziu em garantias. Ao final da janela, consolidou-se o sacrifício das chapas do PT.
A projeção é de redução da nossa bancada de deputados federais. Na chapa de deputados estaduais, os novos filiados ao PT, um deles sequer debatido ou aprovado pela direção, somados aos deputados de direita que ingressaram na federação, tendem mais uma vez a impedir a eleição de petistas.
Nos últimos meses, decisões equivocadas e personalistas, tomadas fora das instâncias partidárias, agravaram uma composição de chapa que já era difícil. Consolidou-se uma prática em que lideranças se colocam acima da direção partidária.
Foi essa prática que permitiu a filiação de Angelo Almeida sem qualquer debate prévio na Executiva estadual. Como resposta ao absurdo, anunciou-se uma reunião posterior apenas para referendar uma filiação já efetivada no sistema, após o prazo da janela.
Na sexta-feira, 3 de abril, a Executiva estadual votou sobre o aceite do PT à entrada, na federação, de deputados de mandato. Houve unanimidade favorável a Fabíola Mansur e unanimidade contrária à entrada de Antônio Henrique, que já havia sido anunciado no PV junto com Eduardo Salles.
Ainda assim, a entrada de Eduardo Salles na federação foi aprovada pela maioria. Foram 13 votos a favor e 11 contra. Votamos contra.
Eduardo Salles e Antônio Henrique não são, nem nunca foram, de esquerda. Sua entrada na federação representa oportunismo político-eleitoral e prejudica a construção de uma bancada comprometida com o campo popular.
Não houve debate na federação sobre a filiação de Antônio Henrique. O PV conduziu o processo de forma atropelada e inaceitável.
Na mesma linha, a poucas horas do fechamento da janela, o presidente do PT informou que Angelo Almeida havia solicitado filiação e que seria incluído no sistema para debate posterior na Executiva. Ou seja, Angelo, que sequer foi debatido, pediu filiação nas últimas horas e foi aceito sem autorização da direção estadual.
Angelo, que já foi do PT e deixou o partido, retorna agora por cálculo eleitoral. Qual foi o debate político que sustentou esse retorno? Qual compromisso foi apresentado?
Por que permitir a permanência no partido de quem não demonstra compromisso com o projeto coletivo, mas apenas com seu próprio cálculo eleitoral? Que tipo de partido estamos construindo? Um partido ou apenas uma legenda?
2. Sobre a saída das mulheres
O PT foi pioneiro ao conquistar cotas de gênero na direção partidária em 1991 e paridade em 2011. As mulheres sempre estiveram na linha de frente da construção partidária e das políticas públicas.
É a partir dessa trajetória que olhamos o presente. Não estamos bem na Bahia. Vivemos um momento de perdas e inquietação, especialmente para as mulheres.
Uma chapa majoritária formada apenas por homens e a saída de companheiras históricas exigem reflexão. Quando mulheres com trajetória e base social, como Elisâgela Araujo e Moema Gramacho, não encontram no partido espaço real de disputa eleitoral, há um problema político a enfrentar.
Esse debate precisa ser feito internamente, com franqueza e compromisso coletivo. É necessário construir o planejamento antecipado das candidaturas e a valorização das mulheres enquanto quadros políticos, especialmente as que estiverem fora do governo. Potencializar nossas mulheres para ampliar a nossa capacidade de eleger mulheres nas nossas bancadas.
Diante do avanço da misoginia e da violência, o papel das mulheres do PT é ainda mais decisivo. Precisamos estar organizadas e fortalecidas. Precisamos garantir que no PT as mulheres que são da luta social consigam se eleger.
3. Diante desse cenário
Entraremos com recurso ao Diretório Estadual do PT para solicitar uma posição firme de que Ângelo Almeida, Eduardo Salles e Antônio Henrique não tenham legenda na federação. O Diretório deve negar a filiação de Ângelo Almeida e rever a decisão da Executiva, não concordando com a entrada de Eduardo Salles na Federação Brasil da Esperança.
Não se trata de vetar filiações ao PV. Mas o PT tem, por acordo feito na federação, a prerrogativa de não aceitar filiação de mandatários. Estamos em uma federação, e a composição da chapa é resultado de pactuação entre os partidos. O PV não pode contar com a concordância do PT para incluir esses mandatários em nossa chapa, fazendo com que os votos do nosso campo político contribuam para eleger quem não tem identidade com o nosso programa.
Por fim, preocupa que quadros públicos do partido atuem como se o PT tivesse dono, afastando-o das decisões centrais. Os erros recentes evidenciam a necessidade de uma condução coletiva e do retorno do partido ao centro do debate.
Coletivo Avante PT, Socialista e Militante- Tendência interna do PT
Segunda nota sobre a situação da Bahia
DECLARAÇÃO DA CNB BAHIA À MILITÂNCIA PETISTA
CONCERTAR PARA CONSERTAR.
EM DEFESA DO PT
"Estava fora de lugar
Eu vivo pra consertar"
Disparada..G.Vandré
Companheiras e Companheiros,
Concluímos uma fase inicial de preparação do processo eleitoral e infelizmente os erros táticos e a falta de estratégia na condução do processo de construção da Chapa Majoritária e das nominatas pra candidaturas federais e estaduais do PT e aliados na Bahia, teve um desfecho desfavorável ao PT no ponto de vista político e eleitoral, com potencial prejuízo aos nossos atuais mandatos e candidaturas, colocando o PT numa situação de dificuldade e fragilidade política flagrante, de modo até hoje nunca vivido pelo Partido.
A sucessão de erros táticos da coordenação política, enebriada por um prefeiturismo ingênuo e amador, comprometeu o nosso método original de operar a política que envolveria os Partidos da coalizão discutindo os rumos e procedimentos a serem adotados dentro do Conselho Político, sob a coordenação do centro político do Governo, fazendo a CONCERTAÇÃO POLÍTICA com os partidos pra montagem da chapa majoritária e das chapas de deputados federais e estaduais, análises da conjuntura, avaliação de pesquisas e tendências eleitorais além das estratégias e linhas méstras da pre- campanha.
Optou-se por adotar a velha e burocrática lógica política palaciana solitária e despolitizada, cujo resultado foram os sucessivos anúncios contraditórios de chapa majoritaria e que terminou resultando na volta ao ponto da candidatura inicial, um desgaste desnecessário . E pra completar, ocorreu um desarranjo total na arrumação das Chapas proporcionais, principalmente na Federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT que virou barriga de aluguel e depositário dos mandatários que não conseguiram abrigo em outras legendas, constituindo um quadro dantesco que analisamos:
1)Na montagem da chapa majoritária, primeiramente no Senado, uma troca necessária do candidato, gerou um desencontro de versões dissonantes e de incertezas entre os cardeais e ainda o "imbróglio" sendo tratado de forma pública, na midia, de forma amadora e confusa, sem esclarecer a tática eleitoral a ser adotada envolvendo os Partidos de Centro e a ligação direta com o objetivo estratégico que é a REELEIÇÃO DO PRESIDENTE LULA onde a Bahia tem papel central e decisivo.
2)O drama se repetiu de forma mais acentuada na crise da indicação do Vice, nesse caso emergindo de forma explícita as divergências existentes no núcleo de cardeais dirigentes, com uma profusão de nomes possíveis, opiniões divergentes e estremecimento nos partidos da base. Os Partidos de centro de caráter nacional (PSD / MDB) além do PSB e PDT, são essenciais para a candidatura de Lula montar os seus palanques estaduais.
Enfim patinamos, nos desgastamos desnecessariamente e voltamos ao ponto de partida, de onde já deveríamos ter avançado há bastante na consolidação da chapa e da aliança. Agora esperamos que estejamos alinhados para a campanha majoritária unitária,sem turbulências.
3)No caso das eleições proporcionais, federal e estadual, não há cumplicidade do comando com a construção tática e nem projeto eleitoral de crescer e consolidar a bancada do PT na Câmara Federal e Assembleia Legislativa. E sem pactuação política ou diálogo construtivo com o Partido e as suas bancadas, utilizou-se da Federação para nos imputar o ônus de arcar com os custos dos acordos políticos majoritários ou de governo, colocando mandatários sem identidade política ou programática com os partidos e sem aprovação das suas instâncias cuja consequência lógica será a diminuição ou anulação de expectativa de aumento das bancadas de parlamentares petistas.
A Federação PT, PV e PCdoB, foi tratada como uma ficção política e um depositário dos parlamentares sem Partido na base do Governo.
Sem dúvidas, há uma visível falta de sintonia, entre o centro de poder do nosso projeto político no Estado e o papel que deveria ser reservado ao PT em ser o partido protagonista e líder da nossa coalizão de governo. O pragmatismo de governo e o imediatismo político da órbita palaciana, prevaleceram e determinam os rumos das composições políticas, em detrimento do PT e da esquerda.
4)As próximas eleições nacionais tem uma enorme repercussão nos rumos da DEMOCRACIA BRASILEIRA e na configuração das relações econômicas diplomáticas e tecnológicas no continente e no mundo, onde o multilateralismo crescente enfrentará o projeto imperialista americano de voltar a impor uma ordem unipolar a partir do domínio econômico e militar dos EUA.
E a Bahia sendo um dos principais centros da decisão do processo eleitoral presidencial do Pais, não estará imune, o que exige de nós firmeza, compromisso e uma enorme responsabilidade com o projeto nacional, onde o PT baiano, seus dirigentes e lideranças parlamentares
deverão estar mobilizados, motivados e emulados a assumir nas ruas e espaços públicos a sua tarefa histórica de liderar a coalizão com sua aguerrida militância e o compromisso inarredável de derrotar a direita e a extrema direita na Bahia e no Brasil, onde tem centralidade a parceria compromissada do nosso Governo com o Partido e seus objetivos políticos e eleitorais para as reeleicoes de Jerônimo Governador e Lula Presidente.!
Nós da CNB, não vamos desistir do PT dirigente, de lutas, plural e democrático, pois os governos passam e o Partido fica!
COORDENAÇÃO DA CNB HISTÓRICA NA BAHIA

De olhos vermelhos, de pelo branquinho, eu sou o coelhinho comunista, e eu trago luta, sem massagem e sem moleza, abrindo os trabalhos do abril pela revolução agrária. Sim, revolução, o tempo de reforma agrária já passou, a Venezuela fez, mas o BR não fez.
ResponderExcluirTerra devoluta é Terra de Quem Luta.
Quando li nos anos 90 a frase de Carlito Maia (o gênio publicitário petista): "Eu não sou do PT, O PT é que é meu!" demorei a entender, foi então que alguém me explicou: as premissas fundamentais que muitos da classe trabalhadora defenderam é que culminaram na criação do PT, ele pertence à classe, não o contrário.
ResponderExcluirO tempo passou, o PT cresceu e se tornou uma ferramenta eleitoral, prioritariamente, deixando se ser o instrumento da classe trabalhadora se organizar e construir a Política para o país. Infelizmente essa é a realidade, deste milênio e, o grande operador dessa transformação de um Partido da Classe Trabalhadora em uma mega Agência Eleitoral é aquele a quem todos do partido defendem incondicionalmente.
Essa contradição se assemelha às práticas de um escorpião que, por ser o que é (de acordo com a fábula) trai o sapo que lhe dera carona para a travessia do lago.
A cada dois anos, o mesmo se repete e absurdos "costurados pela cúpula" partidária são impostos compulsoriamente ao PT que, na teoria, prima por ferramentas democráticas internas. Na prática, os "capas pretas" fazem o de sempre: usam da própria máquina burocrática partidária para burlarem muitas regras, sendo a principal: o completo DESRESPEITO PELAS DECISÕES DO COLETIVO partidário.
Sempre há o "pára-choque" treinado para as artimanhas "sujas", uma espécie de capitão do mato que só obedece ordens, mas segue sendo o suposto vilão.
Nesse mandato majoritário em andamento, descobri que não consegui ser a IMPRESCINDÍVEL, citada por Brecht e isso me cortou por dentro. Mas ao mesmo tempo me sinto limpa.
Diferente do que eu vislumbrava na juventude, o que mais vivenciei nas "internas" da militância foram traições e mais traições à classe trabalhadora, VINDAS DE CIMA, em todos os períodos eleitorais. Eu fui voto vencido sempre e seguia incólume pensando que essa luta era a necessária para o avanço da classe trabalhadora nessa realidade de país dependente e subdesenvolvido.
Minha possibilidade de reenergização sofreu um baque muito profundo ao ACEITAR A REALIDADE: os golpes não vieram só de fora.
Não tenho condições ou embasamento teórico suficiente para justificar a continuidade dessa relação assemelhada à SÍNDROME DE ESTOCOLMO. Admito que eu possa ser errada em desistir, em me afastar, em não continuar a lutar pelo partido em nome da classe trabalhadora.
Ocorre que não consigo mais me convencer que esse partido seja realmente o citado no texto. Na materialidade factual, Edinho não é um fenômeno novo, Kaká muito menos. Todos tiveram e tem "costas quentes" de primeira linhagem e, eu não tenho mais forças para militar por quem me "soca o coturno gigante sobre nós, que não deveríamos estar embaixo, mas juntos".
Muita coisa foi cisalhando, aos poucos, a minha sensação de pertencimento, ao longo desse milênio. O "copo" foi sendo enchido paulatinamente.
O transbordo definitivo se deu nas ações, falas e até nas "não ações" fundamentais do escorpião nesse mandato presidencial e, as ferroadas me injetaram tanto veneno que morreu em mim toda a possibilidade de continuar me iludindo.
Desativei meu "modo interativo" presencial e virtual. Estou em processo de reorganização interna, momento de CHEGA DE SER A PROMOTORA JUSTAMENTE DE QUEM PISA NO PROTAGONISMO DA CLASSE TRABALHADORA O TEMPO TODO.
Não defendo nada, além de minha necessidade interna de rejeitar essa incessante repetição do mesmo, que acontece em toda eleição. É uma sensação péssima, mas necessária, essa de reconhecer ser massacrada por quem deveria simplesmente ser e agir como agente da classe trabalhadora, mas prefere ser o cuidador do que ele chama de "povo pobre"..
Não vou participar de nada, dessa vez. E se a escolha seguirá sendo entre a "realeza" ou a barbárie, não farei parte.