Que parcela importante desses problemas está relacionado ao péssimo funcionamento das direções e coordenações, quero crer que pouca gente discorda.
Nem todo mundo assumirá de público, mas a maioria provavelmente concordará em silêncio, com o fato de que parte deste péssimo funcionamento das direções e coordenações decorre da substituição do método das decisões coletivas - tomadas por instâncias eleitas que reúnem, debatem e depois deliberam - pelo método das decisões individuais.
Pois bem: entramos no segundo turno, mas este erro metodológico segue sendo cometido.
Um exemplo disso é o autodenominado "exército do Janones".
Uma pessoa física reuniu, sob seu comando individual, sem controle coletivo algum, uma legião de 3 a 5 milhões de seguidores.
Conseguiu isso, em grande medida, exatamente porque havia milhões de pessoas querendo contribuir com a campanha e ele, habilmente, ofereceu um canal para isso.
Num mundo ideal, onde as instâncias coletivas funcionassem adequadamente, essas pessoas estariam engajadas numa iniciativa sob controle democrático delas mesmas. E não sob a direção de alguém que propõe explicitamente não pensar, obedecer, agir como robô.
Alguém que por sinal cometeu a estupidez de dizer que a campanha nas ruas não tinha a menor importância, para mais recentemente admitir de maneira torta (via a proposta de "panelaço") que é fundamental agir fora das redes.
Para piorar a situação, muita gente acha que o tal "exército" está submetido a algum tipo de controle democrático. Pensam que fulano validou, que sicrano controla, que o autoproclamado "general" é o porta-voz informal de decisões coletivas.
Como a coordenação da campanha e a direção do Partido pelo jeito preferiram lavar as mãos, o jeito é torcer para que dê certo ou, pelo menos, que não cause muito dano.
Mas a experiência pretérita com este tipo de iniciativa, sem nenhum tipo controle coletivo, é que, se ainda não deu errado, é porque ainda não terminou.
Santo Leminski, orai por nós.
https://x.com/renato_rovai/status/2111190917302399165
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Pois é Valter. Aqui onde moro o problema é ainda maior . Ninguem se move e quando se sugere movimentação diz-se que é necessario discutir mais.... Mais quanto tempo ? Estamos ha 8 dias do juizo final !
ResponderExcluirInvocando o santo citado e para não dizer que não falei de poesia,
Bem no Fundo (Paulo Leminski)
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nosso problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas