Um amigo é de opinião que os marqueteiros são uma “espécime” que precisa ter o mesmo destino dos latifundiários e especuladores.
Se a tese é, no geral, válida ou não, deixo para os especialistas. Mas, no particular, vale para um cidadão - que vou chamar aqui de “foguete super aquinhoado” - que anda defendendo duas teses exdrúxulas.
A primeira é que devemos “por medo nas pessoas”.
A segunda é que nosso “projeto” sofreria de “fadiga de material”.
Vamos por partes.
Devemos falar a verdade. E a verdade é que os imperialistas, os neofascistas e os ultraliberais não estão para brincadeira: onde ganham, vão para cima, sem dó nem piedade.
Mas dizer a verdade é uma coisa, “por medo” é outra, por pelo menos dois motivos:
I/algum medo, assim como algum estresse, é indispensável para sobreviver na selva e na luta de classes. Mas medo em excesso é paralisante. Motivo pelo qual medo sem esperança é a morte;
ii/a maior parte das pessoas são oprimidas pelo medo todo dia: medo de perder o emprego, medo do salário não chegar até o fim do mês, medo de ser vítima das grandes e pequenas desgraças que povoam, especialmente, a vida das pessoas mais pobres, mulheres, negros e negras, moradores das periferias. Nossa base social não precisa de mais medo, nossa base quer esperança, necessita de uma mensagem que convoque à luta por um futuro melhor.
Por isso mesmo, não há “fadiga de projeto”.
Esta tese da “fadiga” é do mesmo naipe de algumas outras “explicações”, segundo as quais o resultado do primeiro turno teria sido produto da “crise do capitalismo”, do “ascenso da extrema-direita” ou do “sentimento de mudança capturado pela direita”.
Quem arruma estas “causas” evita discutir os erros cometidos - por setores do governo, da campanha e do Partido - e coloca a “culpa” em variáveis genéricas, que têm a “vantagem” de não ter CPF, nem RG.
Portanto, para citar uma frase que não é minha, os responsáveis escapam de serem “afogados no lago”.
A tese da “fadiga de projeto” incide, ademais, noutro erro: não explica de que “projeto” estaria falando. É uma referência a Lula? Ao PT? Ao programa democrático-popular e socialista? Ou ao que foi efetivamente praticado no terceiro mandato de Lula?
Seja o que se queira dizer, adotar a tese da “fadiga” é aceitar que a extrema-direita teria alguma dose de razão, ou seja, de que não teríamos mais o que oferecer ao povo brasileiro.
Que alguém pense assim, normal.
Mas que um funcionário muito bem assalariado, com altas responsabilidades, pense algo assim, é a prova de que a tal “crise de direção” existe. Ou, pelo menos, que nosso setor de RH é de uma incompetência ímpar.
Por estas e outras, a nossa única “bala de prata” é a maravilhosa Nação Petista, que junto com milhões de pessoas sem partido ou de outros partidos, está nas ruas, nas redes e nos “pé de ouvido”, para garantir que haja futuro para o povo brasileiro.
O medo, em um primeiro momento, é um alerta importante para a precaução, mas, se se tornar persistente, pode ser paralisante. O objetivo de quem utiliza a tática do medo é fazer com que o terror prevaleça e seja vitorioso. O terrorismo surge do poder do Estado quando oprime aqueles que reagem e resistem. É um erro usar o medo como estratégia, pois isso apenas gerará mais repulsa e fortalecerá o antipetismo.
ResponderExcluirÉ exatamente isso que os bolsonaristas almejam. Você está certo, as pessoas não precisam enfrentar mais terror, dor e sofrimento do que já vivenciam diariamente. Elas precisam de acolhimento e abraços calorosos. O medo também é exaustivo, não é?
Muito boa avaliação !
ResponderExcluirA quem interessa o caos e o medo?
ResponderExcluirPara o economista austríaco M. Kalecki o desemprego é o principal fator coercitivo do sistema capitalista.
Se desenvolvermos mais tal princípio, como se sentiam os operários na Alemanha nazista numa greve?
Dizem que Mao Tse Tung foi investigar o motivo do fracasso do grande Salto Adiante in loco e ficou sabendo que os convites locais tinham medo de relatar os números reais da economia e serem punidos pelo regime.
O capitalismo necessita impor um regime social de terror e pânico para sobreviver?
Mas o sentido da economia semi colonial de nosso país é o comércio de produtos primários ao exterior, em especial à China de Xi Jiping.
Eles dependem da paçoca do Brasil ou os paçoqueiros que dependem dos chineses?
Os produtores de paçoca nada temem. Se os chineses não quiserem mais a paçoca, plantarão soja...
Errata: Kalecki foi polonês e onde se lê "convites locais" leia-se "comitês locais"
ResponderExcluirhttps://x.com/_BrasilPopular/status/2108690224041890230
ResponderExcluirNos 4 anos de Bozo papai a China continuou suas relações comerciais com Brasil e a tendência é pensar que o cenário se repetirá.
Xi Jiping é amigo de Lula, o PT tem relações estreitas com o PCCh e nunca ouvimos "vai pra China" em vez de Cuba...
O agro é pop e confia na estabilidade do comércio chinês.
O mapa acima continuará assim.
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ResponderExcluirPegando o mote retórico “guerra”, recupero trecho de comentário feito ontem no Secom 247, relativo à matéria “Campanha de Lula aciona TSE e pede cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por uso de perfil de Marçal e esquema de criptomoeda”.
ResponderExcluirSegue abaixo.
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Se esta campanha é mais uma guerra, o QG da Famiglia Bolsonaro pensa e planeja duas ou três operações adiante.
E acrescento: operações ofensivas – e, não, as defensivas que saem do QG de Lula.
Enquanto isso, no QG de Lula, é só furdúncio e arranca-rabo: é general batendo cabeça com general, é a coronel Kátia Abreu questionando a marechal Janja (Oxe…Não existe mais hierarquia nessa porra?…), é a soldadesca na linha de frente cobrando material de campanha ao Estado-Maior chefiado pelo general Edinho Silva…
En passant.
Meu povo, Luiz Inácio, decerto um habitante de Nárnia, disse nesta semana: “Eu estava convencido de que ia ganhar no primeiro turno.”
Se diz por aí que o general Edinho Silva, na recente reunião no QG, chegou a soltar ESTE FOI O MELHOR GOVERNO DA HISTÓRIA DA NOVA REPÚBLICA.
Falar o quê?…
Mas prossigamos com retórica comparativa que remete a guerras.
Se a França, em 1939, entrou na guerra com o exército e a doutrina militar de 1918, Luiz Inácio entrou na atual campanha com a cabeça de 2002 e 2006.
Por muito, muito, muito pouco, até funcionou em 2022.
Mas é aquilo que muitos dizem: A VITÓRIA NADA NOS ENSINA: O QUE ENSINA SÃO AS DERROTAS.
No mais, se Jair e Flávio têm até alguma ligeira semelhança com Collor, nada têm a ver com Fernando Henrique, José Serra e Geraldo Alckmin.
...
Ateu, suspendi meu ateísmo e já me pego com os orixás.
Que Exu, aquele que abre os caminhos, neste segundo turno baixe no eleitorado que votou em branco, nulo ou que se absteve e mande “Perdoe todas as cagadas de Luiz Inácio e aperte o 13”.
É o que nos pode salvar.
Laroyê Exu!
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(Jucemir Rodrigues da Silva)
https://www.cartacapital.com.br/politica/com-flavio-o-brasil-mergulhara-em-uma-guerra-civil-continuada-adverte-tarso-genro/
ResponderExcluirRecuperemos.
ExcluirTrechinho de artigo de Tarso Genro publicado em 13 de janeiro de 2024 no sítio do Sul21:
”o arcabouço fiscal [Tarso Genro se refere ao Novo Arcabouço Fiscal, que as más línguas “carinhosamente” chamam de Calabouço Fiscal] foi encaminhado para ser a travessia de uma economia empobrecedora e covarde para uma dinâmica nova de integração do Brasil no sistema capitalista global, na sua melhor possibilidade”
Quando, pra economizar tempo em demoradas pesquisas, se pergunta à mão na roda que é a IA do Google o que Tarso Genro acha do NAF, ela responde:
“O Novo Arcabouço Fiscal (criado pelo governo federal em 2023) como uma "travessia" política e técnica necessária para que a gestão do presidente Lula garanta estabilidade institucional e recursos para gastos prioritários, em meio a um cenário político complexo no Congresso Nacional.”
Tudo bem que, numa presidência de Flávio Bolsonaro(Que nos livrem os orixás...), Pindorama será mileiniamente mergulhada no fundo do poço neoliberal, e que, sob um futuro governo Lula IV, não mergulharia tão fundo - como se comprovou neste seu terceiro quadriênio à frente de Pindorama. Mas será que Tarso Genro não soube da hipótese de trabalho, que rola por aí faz tempo, de que governanças ditas progressistas(seja lá que diabos isto queira dizer) mas que executam políticas neoliberais e não cumprem o que se prometeu aos seus eleitores pavimentam o caminho de sucesso eleitoral de políticos de extrema-direita?
Só pra ilustrar, recupero fala do candidato Luiz Inácio, em agosto de 2022.
Ei-la:
“O teto de gastos foi criado para que se evitasse dar aumento na saúde, na educação, no transporte coletivo, na renda das pessoas que trabalham neste país. É importante saber que não é nenhuma bravata. Vocês sabem que eu não sou de fazer bravata, não sou de rasgar nota de dez, não sou de dizer coisas que eu não acredito, mas não terá TETO DE GASTOS [maiúsculas por minha conta] em lei no nosso país”
Sim, olhe pra cima, pra baixo, pra frente, pra trás e pros lados e diga o que você vê...
Olhando daqui, seja pela frente, atrás, nos lados, em cima e em baixo, eu só vejo é o teto de gastos e a lei de ferro do déficit zero.
...
Sim, vamos ver se você se liga nas paradas.
Quiz show...
Por que o governo Lula modificou as regras de concessão do BPC?
Por que o governo Lula jogou pra cima da dotação orçamentária do piso constitucional da educação os gastos com o programa assistencialista Pé-de-Meia?
Por que limitou a 2,5% o ganho real do salário mínimo?
...
Sim, Tarso Genro não pegou visão do quanto o Calabouço Fiscal nos levou à aflitiva situação eleitoral de hoje?
(Jucemir Rodrigues da Silva)